quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Bom dia.
Sei que não mais posso dizer "te amo". Sei também que você não queria me fazer sofrer. Sei que você irá se culpar pelo meu pranto. Mas peço que não sofra em meu lugar: esta dádiva é minha e agradeço por ela. Sei que sairei mais forte que a pequena que foi - e continua sendo - sua.
Quando eu estiver prestes a chorar, vou lembrar tua voz me dizendo coisas que me façam rir.
Quando o céu estiver sem estrelas, lembrarei que para você eu era uma delas, a mais importante de todas.
Quando eu estiver perdida, vou poder me encontrar em você, enquanto existir.
Quando o dia estiver nublado, farei do teu sorriso meu Sol e do teu abraço meu abrigo.
Quando eu estiver prestes a desistir, vou me lembrar que você dizia que apesar do meu tamanho eu era uma grande mulher.
E quando o "te amo" vier à ponta da língua, saltitando e esbarrando nos dentes, direi-te: "bom dia".
Portanto, não se crucifique quando choro: meu pranto é cada pingo de chuva desta manhã gelada, que irá regar as rosas da minha ausência.
E a custo dos espinhos que me perfuram por dentro, irei perfumar a tua vida.
Sei que não mais posso dizer "te amo". Sei também que você não queria me fazer sofrer. Sei que você irá se culpar pelo meu pranto. Mas peço que não sofra em meu lugar: esta dádiva é minha e agradeço por ela. Sei que sairei mais forte que a pequena que foi - e continua sendo - sua.
Quando eu estiver prestes a chorar, vou lembrar tua voz me dizendo coisas que me façam rir.
Quando o céu estiver sem estrelas, lembrarei que para você eu era uma delas, a mais importante de todas.
Quando eu estiver perdida, vou poder me encontrar em você, enquanto existir.
Quando o dia estiver nublado, farei do teu sorriso meu Sol e do teu abraço meu abrigo.
Quando eu estiver prestes a desistir, vou me lembrar que você dizia que apesar do meu tamanho eu era uma grande mulher.
E quando o "te amo" vier à ponta da língua, saltitando e esbarrando nos dentes, direi-te: "bom dia".
Portanto, não se crucifique quando choro: meu pranto é cada pingo de chuva desta manhã gelada, que irá regar as rosas da minha ausência.
E a custo dos espinhos que me perfuram por dentro, irei perfumar a tua vida.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Cada lágrima que caíria dos seus olhos seria uma letra a escrever. E na verdade, se ela escrevesse com todo o seu pranto, faria um livro maior que a Constituição Brasileira e que a aula chata do primeiro horário de segunda-feira. Para seu próprio desespero, ela secava a maioria dos pingos antes mesmo destes chegarem ao chão. Ao som de Coldplay, as letras estavam ficando embaçadas pelos seus óculos encharcados, mas ainda assim ela não desistiria. Se não poderia gritar a plenos pulmões, machucaria suas mãos de tanto movimentá-las para digitar algo inútil, mas que trouxesse ao menos alguma espécie de alívio momentâneo.
Cada segundo passava arrastado, pois ela tentava incessantemente fingir para si mesma que estava bem. Pura bobagem, ela não poderia fugir de si mesma, jamais.
Ela queria se tornar invisível e imperceptível feito vapor de água. Vapor este que quando se precipitasse em forma de chuva, seria apenas mais um clichê das noites frias na sua cidade.
Amanhã será primavera. Mas seu jardim não estará florido. O seu sol não estará brilhando, e o ar não estará fresco. O vento não estará uma brisa e todas as suas cores estarão gris.
Amanhã será primavera. Mas para ela, ainda será inverno.
Cada segundo passava arrastado, pois ela tentava incessantemente fingir para si mesma que estava bem. Pura bobagem, ela não poderia fugir de si mesma, jamais.
Ela queria se tornar invisível e imperceptível feito vapor de água. Vapor este que quando se precipitasse em forma de chuva, seria apenas mais um clichê das noites frias na sua cidade.
Amanhã será primavera. Mas seu jardim não estará florido. O seu sol não estará brilhando, e o ar não estará fresco. O vento não estará uma brisa e todas as suas cores estarão gris.
Amanhã será primavera. Mas para ela, ainda será inverno.
Depois que caiu, a ultima coisa que viu foi a Culpa envolvendo-a num abraço de morte.
E foi ali que ela teve a sensação de que nunca mais seria feliz novamente.
Ela estava cansada demais para gritar ou correr. Então deixava apenas as lágrimas caírem e não fazia o menor esforço para impedi-las de chegar ao chão, se é que chão havia.
Ela estava gelada, e cada pulsar de seu coração doía como se houvesse uma pedra de gelo que perfurava suas vísceras no lugar deste. Por dentro ela sangrava demais.
E presa aos seus devaneios ela imaginou se ainda havia Amor dentro dela, e se este Amor era merecedor de sua Luz.
Ela suportaria qualquer dor. Até a lancinante que sentia agora, sentindo cada parte de sua Alma ser devorada pela Culpa. Mas não suportaria CAUSAR Dor em sua Luz.
- “É melhor assim.”
E pela primeira vez depois de muito tempo ela se sentiu feliz. E pela primeira vez depois de muito tempo ela sentiu que fazia algo bom.
Se esse era o destino ela aceitaria.
Culpa olhou para ela durante alguns segundos que pareceram uma eternidade. A pequena encarou de volta com seus olhos vermelhos que ardiam, os olhos de corvo de sua própria Culpa.
Então, Culpa cravou suas mãos no peito da menina e adentrou-se completamente em seu coração.
A pequena se contorceu de Dor, tentou gritar, mas a voz não saía.
Ela sabia que era preciso. Culpa era seu Coração agora.
Inconsciente de dor, ela estremeceu antes de cair num desmaio profundo.
Mas ainda assim, ela estava sorrindo.
sábado, 1 de agosto de 2009
O lugar era frio. Frio, escuro e o vento gelado cortante soprava medo. E lá não tinha vida, as árvores negras retorcidas estavam mortas. O ar era sulfúrico e talvez fosse este cheiro corrosivo que dava nós no seu estômago e dava ânsias de tempos em tempos.E ela corria. Corria muito. Corria rápido. Corria mesmo sem saber fazê-lo, como todos diziam.
Corria porque tinha apenas um pensamento:
“ - Tenho que encontrar a Luz.”
Quando as pessoas morrem elas precisam caminhar para a Luz.
“ - Quando as pessoas morrem por dentro elas precisam fazer a mesma coisa.”
Frequentemente asas negras a envolviam com tal força que o sal de seus olhos saía involuntariamente. A menina fugia de seu próprio Inferno, pois ele parecia mais forte que ela.
“ - Criei meus próprios demônios. Agora eles existem com tanta intensidade que já não sei se posso me desvincular deles.”
E ela pensava em desistir. Quando estava quase se entregando porém, a imagem de sua Luz lhe vinha ao pensamento. A força protetora daquela pequena era diferente de todas as outras. Tinha olhos castanhos brilhantes, primos das estrelas, e um sorriso iluminado filho do Sol. Era, em carne e osso, o seu Anjo. Paradoxal dizer que o divino é composto de matéria. Mas era o calor que emanava da figura de sua Luz na sua mente que lhe dava energias, e ela conseguia se desprender das penas cor de breu da Culpa, jogando Flores de Seus Sonhos nela.
Mas Culpa, apesar de se enfraquecer com os Sonhos da menina, não desistia de persegui-la . Ela parecia invencível, se alimentava da Sombra daquela pequena tão indefesa e inspirava seu Medo. E quanto mais Culpa tragava o Medo e a Sombra da menina, mais eles cresciam.
A pequena tropeçava, seus joelhos doíam e seus olhos ardiam com seu choro. Procurava, muito atenta, as raras Flores dos Sonhos naquela terra seca e infértil. Logo descobriu que Sonhos em semente revigorava a Culpa.
Elas (as Flores) ficaram cada vez mais difíceis sua pele parecia estar em chamas pela febre, mas ela sentia muito frio. E ela teve MUITO medo. Culpa ficou mais forte, sua risada de vitória ecoava pelo lugar.
“ - Minha Luz, onde está você?”
Ela estava fraca, corria, fugia há dias. Sem descanso, num eterna luta contra sua Culpa e seu Inferno, fortalecendo-se apenas de seus pensamentos sobre a sua Luz.
“ - Não aguento mais…”
As asas negras da culpa farfalharam pela ultima vez em suas costas.
Seus olhos se fecharam, seus joelhos cederam e ela caiu.
O problema era a culpa.
Não era apenas o fato de estar perdidamente apaixonada por um dos caras que se tornou um de seus melhores amigos. Não era a saudade, a necessidade que ela tinha de respirar o cheiro dele e muito menos o ciúme das meninas infinitamente mais bonitas & interessantes que ela - isso também, mas não exatamente isso.
O fato é que ela tinha que esconder o que sentia. Ela tinha que encarar o sorriso dele todos os dias, queria estar sempre por perto, queria passar dias e dias apenas contemplando seu olhar, etc, mas tinha que fingir que não queria nada disso, e sim a linda amizade dele. Hipocritamente, seu olhar não era o mesmo, o seu sorriso não era o mesmo, a sua presença não era a mesma, o seu abraço não era o mesmo. Seus sentimentos, não eram os mesmos.
Então ela amava e odiava tudo isso, simultaneamente. Amava estar perto dele, e odiava o que a levava a isso. Amava quando ele a abraçava, mas odiava a forma com que ela estava presa a ele, com ou sem abraços.
E ela amava a maneira que ele amava.
Mas odiava a maneira que ela estava destinada a amar de volta.
E como uma criança que tem medo de escuro, aquela pequena tinha medo dos dias nublados.
Se era alguma espécie de premonição ou só medo mesmo ela não sabia. Mas a falta que o sol fazia era terrível, era quase uma dor profunda, e dependendo do ponto de vista, era realmente uma dor. Estranho? Não mais que os espirros que ela dava a cada três minutos e que o frio iminente que ela sentia em sua epiderme, mesmo estando bastante agasalhada. Era incomum essa abstinência solar, a melanina quase inexistente de sua pele branca já respondia isso. O seu nojo de suar, e o astigmatismo {resistência à luz} também.Porém o medo do céu acinzentado fazia ressurgir o antigo medo de ter seu coração transformado numa pedra de gelo. E era por causa disso que ela precisava de uma luz, nem que esta passasse por uma pequena fresta de sua janela. Era apenas para ter certeza de que o mundo não escureceu lá fora. Ou certeza de que ela não ficará perdida nas trevas dentro dela.
Porque dentro dela, tudo queimava, mas nada aquecia.
sábado, 14 de março de 2009
Sete segundos. Sete segundos que pareceram uma eternidade. Que fizeram o mundo desmoronar e automaticamente se reconstruir. Que conseguiu violar a lei de Indestrutibilidade da Química. Que fez um mundo sem leis.
E tudo pareceu afogar-se em chamas, porque o calor do olhar dele era algo plasmático. Desorganização total de átomos, que pareceu desintegrá-la.
E ela correu, mas não conseguiu sair do lugar. E ela gritou, mas ninguém ouviu. E ela disse “eu te amo”, mas ele não percebeu.
Sua cintura queimava com a mão dele que pousava delicadamente sobre sua sutil curva. Ele era feito de fogo. Fogo que purificava, protegia, fogo-oferenda, que a fazia deusa e serva, divina e escrava. E esse fogo também era a seiva da vida, seu veneno, seu vício. Sem ele ela congelaria.
E foram sete segundos que seus olhares ficaram conectados, ele disse um ‘Oi’ e ela ficara hipnotizada. E quando ele passou, ela apenas balançou a cabeça em sinal de negação para organizar as ideias.
A vertigem do contato da pele dele com a dela passava aos poucos, e de sete segundos, tornou-se sete minutos de sinapse confusa. De sete minutos, partiu-se para 7 horas pensando nele. De sete horas, passou para sete noites sem dormir. E dessas sete noites, ela tentava perdoá-lo setenta vezes sete vezes. Perdão por algo que ela não conseguiu definir.
Os sete segundos foram eternamente rápidos demais para pensar nisso.
E tudo pareceu afogar-se em chamas, porque o calor do olhar dele era algo plasmático. Desorganização total de átomos, que pareceu desintegrá-la.
E ela correu, mas não conseguiu sair do lugar. E ela gritou, mas ninguém ouviu. E ela disse “eu te amo”, mas ele não percebeu.
Sua cintura queimava com a mão dele que pousava delicadamente sobre sua sutil curva. Ele era feito de fogo. Fogo que purificava, protegia, fogo-oferenda, que a fazia deusa e serva, divina e escrava. E esse fogo também era a seiva da vida, seu veneno, seu vício. Sem ele ela congelaria.
E foram sete segundos que seus olhares ficaram conectados, ele disse um ‘Oi’ e ela ficara hipnotizada. E quando ele passou, ela apenas balançou a cabeça em sinal de negação para organizar as ideias.
A vertigem do contato da pele dele com a dela passava aos poucos, e de sete segundos, tornou-se sete minutos de sinapse confusa. De sete minutos, partiu-se para 7 horas pensando nele. De sete horas, passou para sete noites sem dormir. E dessas sete noites, ela tentava perdoá-lo setenta vezes sete vezes. Perdão por algo que ela não conseguiu definir.
Os sete segundos foram eternamente rápidos demais para pensar nisso.
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A idiotice é vital para a felicidade
A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, porque fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse.Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente é ele, pobre dele! Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e ponto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselhos para tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? (Arnaldo Jabor)
